Elevador movido a macumba
7:00
Entro no elevador. O tapete é daqueles de vinil. Olho minha cara de sono no espelho. No canto à esquerda, perto dos botões, há uma tijela de cerâmica branca. Ela está cheia de areia e com quatro velas vermelhas, cravadas na areia, além de algumas pimentas espalhadas.
Pego a tijela, apago as velas. Meu primeiro pensamento é: isso pode causar um acidente! Poderia haver um incêndio! E se a vela caísse no tapete?!
Procuro o zelador e não o encontro, passeio pelo térreo com a tijela na mão. Não o encontro e a minha carona chega. Deixo a tijela na mesa do porteiro, que também não o encontro e vou trabalhar.
Mamãe me conta que quando desceu, pouco mais de uma hora depois, o porteiro estava branco e não conseguia falar. Mamãe me explica que as pessoas tem medo deste tipo de coisa e eu digo a ela que não tive a intenção de assustar ninguém, que eu mesma jgaria no lixo se o tivesse encontrado. Penso que talvez tivesse sido melhor apenas apagar as velas, por medida de segurança.
A noite, quando chego da faculdade: o elevador está quebrado!
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