Saturday, November 06, 2004

Saboreá-lo

Eu tive uma fase bem disléxica na minha vida, quando eu conseguia dizer "esse objeto de acrílico, da marca Desetec, que pode ser graduado em centímetros ou polegadas, que serve para medir e para traçar segmentos de reta", mas não conseguia dizer régua.
Ou quando me esqueci totalmente da palavra "chiclete".
Mas aconteceram alguns diálogos bizarros nesses dias.

- Para encapar o livro, preciso saber o tamanho da capa.
- Mas eu não sei o tamanho da capa.
- Pega uma tesoura e mede, então, oras!

Ou então:
- Eu preciso fazer um telefonema.
- Não se preocupe, há elevadores públicos em todos os andares.

Mas o que houve de mais bizarro foi o motorista do ônibus, que falou sozinho o caminho todo, buzinou para carros que estavam longe e para pessoas mais longe ainda, pedindo para eles saírem da frente: "Sai Cueca! Sai Cueca!". Mas na frente do parque do Ibirapuera, ele parou em um desses camelôs que vendem bolo e perguntou:

- Vou tem aquele de queijo?
- Di queijo num tem hoje naaaaum.
- É que eu queria saboreá-lo.
- Qui qui é?
- É que eu queria saboreá-lo!
- Qui qui é?
- Saboreá-lo! Degustá-lo! Preste atenção às minhas palavras! Comer ele! Mas que droga! É a terceira pessoa do singular do caso oblíquo, não do caso reto! Mas será que você não sabe de nada? SABOREÁ-LO!

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