Saturday, October 16, 2004

Mil coisas que ele não sabe, e nunca vai saber

Há mil coisas que ele não sabe, nem nunca vai saber, por mil motivos diferentes.

Uma vez eu li no blog dele (há mais de um ano, na verdade) que "não há guarda-chuva contra o amor". É lógico que ele não se referia a mim, mas é assim que me sinto.

Deixei uma mensagem para o Rafa, mas ele não respondeu. O Rafa é assim. Nos conhecemos desde 2001 e há muito tempo não nos falamos. Mas aparecemos na vida um do outro de vez em quando, para ouvir ou para chorar.

Quando eu estava muito, muito triste, e isso simplesmente resplandecia por todos os meus poros, eu conversei e chorei com ele.

Depois de contar a ele todas as mazelas, todos os meus erros e todos os erros dele, ele me escreveu:

- Me fala bem desse cara, que eu estou imaginando um monstro mitológico.

- Ele tem olhos azuis lindos, com desenhinhos prateados, que foram pintados por algum anjo de Deus. Quando ele me abraça eu sinto vontade de virar estrela. Ele tem sempre um cheirinho gostoso e morno de quem acabou de acordar. Eu converso com ele e não me sinto um et. Temos um milhão de gostos em comum. Adoro ouvir ele falar sobre as coisas que ele gosta, mas que eu não me interesso tanto. Estar longe dele dói. Ele é lindo quando está realmente feliz e sorri; seus olhos brilham de uma maneira especial. Ele fala comigo e me olha nos olhos, mas de uma maneira natural. Só ele conhece minha pintinha favorita. Sexo é bom. Ele me diz que eu sou linda e eu acredito. Eu me derreto como manteiga quando estou perto dele. Eu sinto toda vez que ele me olha. Gosto da maneira como ele brinca com a minha mão, ou como mexe nos meus dedos quando minhas unhas estão pintadas com base. Ele adora meninas com cabelos curtos, mas sei que me ama com o meu cabelão. Ele tem um jeito especial de me fazer cafuné. Brigar dói, sempre e muito. (Sempre me vesti no escuro, pegando a primeira roupa da gaveta, você sabe disso) Mas ele me olha e eu me preocupo com isso. Ele me mandou um rosa amarela. Quando estou com ele, eu me sinto segura. Ele me dá presentinhos bobinhos que tem tudo a ver comigo e que eu adoro, como uma coroa de Princesa que veio na caixinha do McLanche Feliz, porque eu assino "Princesa Maya - Primeira e Única". Às vezes eu acho que ele advinha meus pensamentos e desejos. Eu faço coisas sinceras e ele acha lindo. Faço coisas sem ele saber para chamar sua atenção. Fico louca quando ele não liga. Ele brinca comigo. Beijinhos de borboleta. Abraço. Beijinhos de esquimó. Bate-cuca. Ficar perto dele sem fazer nada. Deitar na grama e olhar fotos do outro lado do hemisfério. Pic-nic no parque do Ibirapuera.

- É, os meus são castanhos sem graça mesmo. Mas que castanhos sem graça!

Depois de contar me dos seus olhos castanhos e sem graça me escreveu: "Bom, eu estou numa posição muito fácil. Você é minha amiga e eu sequer o conheço. É muito fácil para mim dizer que ele não te merece e essas coisas. Mas não adianta nada, e você sabe."

Esquisito como eu fiz coisas para me proteger, para que ele não falasse mais comigo, simplesmente porque eu já sabia como reagiria e como me sentiria. Engraçado como é fácil pensar que só eu posso fazer coisas desse tipo, que o que ele faz é necessariamente por maldade.

- Por que?
- Porque eu gosto de você.
- Eu tenho medo.
- Eu também.

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